Presidente do STAL acusou Governo de “arrogância” e “cobardia” em Montemor-o-Novo

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O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) realizou ontem no Auditório da União de Freguesias de Nossa Senhora da Vila, Bispo e Silveiras em Montemor-o-Novo, um encontro regional de activistas da Administração Local, para debater os problemas do sector.

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stal_em_montemor_20.02.2015_3Entre eles, a proposta de trabalho de 35 horas semanais para os trabalhadores da função pública. Francisco Brás, Presidente do STAL disse à RNA que “como é público há acordos assinados entre as câmaras e sindicatos que estão na posse do Governo há mais de uma no e foram-se desculpando para não responder e para não publicar. Agora à última da hora dizem que as autarquias não podem, como se ele (Governo) é que decidisse, como se não houvesse uma constituição e não houvesse legislação neste país”.

stal_em_montemor_20.02.2015_2O Presidente do Sindicato disse ainda em entrevista que “esta é uma tentativa sem nome de impor um retrocesso social inaceitável. Este revela-se um Governo de classe, retrógrado, totalitário com os trabalhadores, e subserviente aos interesses dos patrões e desta Europa de capital desenfreado de uma forma vergonhosa nos dois sentidos: na arrogância que trata o povo deste país e a cobardia com que trata os políticos europeus”.

De acordo com José Correia, Vice-Presidente do STAL, esta sessão inseriu-se numa série de encontros regionais promovidos pelo Sindicato e que decorrem de uma forma descentralizada um pouco por todo o país e que integram dirigentes e activistas “procurando reflectir sobre as questões mais lesivas para os trabalhadores da administração local com particular destaque para o horário das 35 horas e para a recusa da publicação dos acordos do Governo, e a recente posição da Associação Nacional de Municípios que considera que a posição do Governo relativamente às Câmaras Municipais é de chantagem, e que nós subscrevemos”

O encontro desta sexta-feira decorreu em Montemor-o-Novo. De acordo com Vítor Carrasco, coordenador da Direcção regional de Évora do STAL, foram discutidas ao longo do dia, diversas problemáticas que preocupam os trabalhadores. Durante a manhã houve um “debate que abrange a área de intervenção do Sindicato”, e durante a tarde “falou-se acerca de uma questão que estamos a tratar, a esclarecer e a denunciar. O Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento está a ser negociado em segredo, pouca gente conhece, e nós temos necessidade de esclarecer os trabalhadores das consequências deste tratado entre a União Europeia e os Estados Unidos”.

A sessão contou com a participação de Augusto Praça, do Departamento Internacional da CGTP-IN, que interveio sobre este tratado transatlântico.

De acordo com o próprio aos microfones da RNA, este tratado traz muitos problemas sérios para os países e respectivos trabalhadores. “Se este tratado fosse para a frente, implicaria com a soberania dos povos e eles não decidiriam livremente os seus destinos. Este é um problema sério, e mais sério ainda, é a introdução neste tratado de uma cláusula chamada de protecção do investidor (ISDS), que permita a qualquer investidor que põe em causa a perspectiva de lucros no futuro por razões de desenvolvimento de políticas públicas em serviços públicos de saúde, água, tratamento de lixo, cemitérios, segurança social, educação, e isso poderia ser posto em causa nas políticas nacionais porque iria também por em causa os lucros desses investidores. Digo investidores entre aspas porque eles no fundo são aves de rapina”.

No final da iniciativa, teve lugar um desfile até Largo Caloust Gulbenkian em Montemor-o-Novo.