40 mulheres foram assassinadas desde o início do ano em casos de violência doméstica

violencia-domesticaEm média e por semana uma mulher é assassinada em Portugal, vítima de violência doméstica. Desde o início do ano até ao fim de Novembro, já foram assassinadas 40 mulheres no contexto de relações de intimidade e outras 46 foram alvo de tentativa do mesmo crime.

Os dados são avançados pelo relatório do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), relativo ao período entre 1 de Janeiro e 30 de Novembro de 2014

O Observatório identificou até ao final do mês de novembro 40 homicídios de mulheres por companheiros, ex-companheiros e familiares próximos e 46 tentativas que não resultaram na morte da vítima. O número aumentou face a 2013, ano em que se verificaram 37 homicídios, e a contabilização de 2014 ainda não tem em conta o mês de Dezembro. Este observatório estima que desde 2012, 229 crianças foram afetadas devido à violência contra as suas mães, ficando 122 filhos ou filhas órfãos de mãe.

83% destes crimes foram cometidos por pessoas com quem estas mulheres mantinham relações de intimidade e mais de metade já tinham anteriormente sido vítimas de violência doméstica por parte dos maridos ou companheiros. Três quartos dos crimes contra mulheres aconteceram nas suas casas. Estes crimes ocorrem maioritariamente contra mulheres com idades superiores a 36 anos, mas acontecem em todas as faixas etárias.

Dos 83 filhos das vítimas assassinadas e das tentativas de homicídio ocorridas em 2014, 64 eram filhos em comum com o agressor. 24 filhos destas mulheres, menores ou maiores de idade assistiram aos crimes cometidos contra as suas mães. Ainda segundo dados deste relatório, o concelho em Portugal onde ocorreram mais casos de homicídio ou tentativa de homicídio de mulheres em contexto de violência doméstica foi no Seixal. 
O relatório foi divulgado esta terça-feira no âmbito do Dia Internacional dos Direitos Humanos, que se assinala a 10 de Dezembro e encerra os 16 dias de activismo pela Eliminação de todas as Formas de Violência contra as Mulheres.

Estes números são estimativas, já que o observatório analisa apenas as ocorrências reportadas pela comunicação social, não havendo dados oficiais nesta matéria.