ELVAS: MILITARES DA GNR CONSTITUÍDOS ARGUIDOS

PSPDois dos três militares envolvidos no caso de agressão em Vila Boim, no ano passado, foram constituídos arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência, estando a aguardar julgamento devido à queixa apresentada pelos três homens de etnia cigana que apresentaram acusação contra os militares por suposta ação violenta, agressão e entrada no domicílio, onde se encontravam barricados.

O incidente ocorreu em 30 de março de 2013 na freguesia de Vila Boim, no concelho de Elvas, quando uma patrulha da GNR foi chamada devido a uma queixa por ruído.

AGJ teme que situação provoque “Sentimento de Impunidade”

António Barreiras, da direção Sul da APG – Associação Profissional da Guarda, considera que a constituição de arguido “é um procedimento normal”, porém chama a atenção para o sentimento de impunidade que esta situação pode gerar junto da população e corpo policial.

“Desde que haja uma queixa contra um elemento da Guarda o procedimento é normal e a pessoa é constituída arguida. O problema aqui é que esta situação vem provocar mal-estar nos camaradas das forças de segurança, que sabem que colegas que foram mal tratados e agredidos passaram de vítimas a arguidos. Assim como, a população que não percebe e pode gerar um clima de impunidade”.

A APG disponibiliza apoio jurídico aos militares e defende o apoio psicológico aos agentes envolvidos.

Forças de Segurança voltam “em força” ao Tribunal de Elvas

António Remudas, da Associação Sindical dos Profissionais da Policia, já reagiu à noticia e revela que, tal como aconteceu na altura do julgamento, as várias forças de segurança voltarão a estar presentes, como forma de protesto no Tribunal de Elvas.

“Estas situações já começam a ser frequentes. Isto motiva o desagrado e desmotivação às forças de autoridade, porque quando vão atuar têm de prever muito bem o que vão fazer, aliás não podem fazer nada. Os cidadãos querem o seu problema resolvido e estes indivíduos, sejam ou não de etnia cigana, acabam sempre por coagir as forças de segurança (…) as medidas de coação são excessivas. Os homens vão para um serviço para o qual estão formados e deparam-se com uma medida desta. Quem é que está mal afinal de contas?”, questiona.

Recordamos que se realizou um julgamento contra três indivíduos acusados de agressão aos militares, tendo a sentença sido conhecida em Maio do ano passado. O mais velho, ficou com pena suspensa. Os outros dois, irmãos, foram condenados a um ano e 10 meses de prisão mas apenas terão passado os fins-de-semana no estabelecimento prisional.

À data, durante a leitura da sentença, a juíza Dulce Tavares terá considerado provado que os arguidos agrediram de forma violenta três militares da GNR num crime que terá sido alegadamente motivado pela “embriaguez” em que se encontravam. Um crime de uma “gravidade enorme” que só pode ser punido no âmbito do previsto na lei.

Os três militares – dois do posto de Elvas e um do Destacamento de Intervenção – acabaram por ser agredidos com paus e garrafas, tendo recebido tratamento hospitalar. “Um deles teve de levar 28 pontos na cabeça, outro ficou ferido na nuca e um terceiro quase perdeu a visão “, relatou na altura fonte da corporação.

O fato dos militares terem agora sido constituídos arguidos está a causar grande mau estar nos restantes militares da GNR da região e restantes autoridades.