O LABIRINTO DE SARAMAGO E DE BERTOLINI em Ponte de Sor

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19 portas. 19 símbolos de passagem. 19 estações. Um labirinto e o homem no centro, perdido. Esta é a representação seca e sugestiva que o escultor italiano Massimo Bertolini faz da obra “O ano da morte de Ricardo Reis”, composto por 19 capítulos, de José Saramago.

Bertolini reconstrói um mundo de palavras com uma escultura feita de vidro, aço, papel, recortes de imprensa, cartazes rasgados, plástico, madeira e ferro, chamando o espetador para ser parte integrante da obra, conduzindo-o no labirinto, mas deixando também muitos vestígios a fim de encontrar o ponto de fuga. 

Os mil materiais que o artista usa são indícios que o espectador sensível e o leitor atento de Saramago saberá utilizar, para decifrar o sentido de uma época que pouco se caracteriza por tê-lo.

O Centrum Sete Sóis Sete Luas de Ponte de Sor começa o novo ano com esta desconcertante exposição que transmite melancolia e inquietude, força e fragilidade ao mesmo tempo. As portas de Bertolini são portas tridimensionais, circum-navegáveis, mas intransponíveis. Estas estão paradas, em frente das quais o espectador é convidado à reflexão para puder sair do labirinto. Uma vez encontrada a saída o labirinto em si mesmo deixa de existir.

No sábado 19 janeiro, pelas 17 horas, tem lugar a inauguração da exposição, no Centrum Sete Sóis Sete Luas.