Estratégia de desenvolvimento do Aeroporto de Beja deve passar pela aposta na zona industrial

aeroportoAnaA estratégia de desenvolvimento do aeroporto de Beja deve passar, a curto/médio prazo, pelo conceito de “aeroporto indústria”, através da aposta na zona industrial adjacente, defende o grupo de trabalho que definiu uma estratégia para a infraestrutura.

 

“O aeroporto de Beja é a única infraestrutura aeroportuária do país que tem uma zona industrial adjacente e que é uma especificidade que deve ser explorada”, explicou hoje à agência Lusa o coordenador do grupo de trabalho, João Paulo Ramôa. O responsável falava após a divulgação de um comunicado com as principais linhas da estratégia de desenvolvimento do aeroporto de Beja definida pelo grupo e que consta num relatório entregue na passada quinta-feira ao Governo.

Segundo o grupo de trabalho, explicou, o plano estratégico do aeroporto de Beja elaborado pela ANA – Aeroportos de Portugal “deve ser revisto com carácter de urgência”, tendo em conta um “novo paradigma” em que o modelo de negócio deve “redirecionar-se para o desenvolvimento industrial” e colocar as valências de transporte de passageiros e de carga “num patamar posterior”.

O aeroporto de Beja deve continuar a fazer parte da ANA, o grupo defende uma estratégia de curto/médio prazo que deve passar, numa primeira fase, pelo “conceito de aeroporto indústria”.

Nesta lógica, o grupo preconiza que o aeroporto de Beja deve “apostar” na valência da zona industrial e “orientar as suas energias para captar empresas” que precisem da infraestrutura aeroportuária para desenvolver as suas atividades ou escoar os seus produtos, sobretudo as da área da indústria aeronáutica, precisou.

Para “atrair” empresas, o grupo defende que a zona industrial do aeroporto deve ter “características discriminatórias positivas”, como isenções e incentivos fiscais e condições “especiais” de disponibilização de terrenos e de “instalação com custos mais reduzidos” para “possibilitar o financiamento privado”.

A criação de uma entidade financeira específica de capital de risco para “complementar o investimento privado” e de uma verba própria no próximo quadro comunitário de apoio (2014-2020) para financiar projetos para o aeroporto de Beja são outras propostas do grupo.

No âmbito da estratégia de curto/médio prazo para o aeroporto, mas num “patamar secundário”, o grupo defende a aposta no transporte de passageiros, numa lógica de “apoio” ao aeroporto de Faro e para responder à procura turística do Alentejo e da aviação executiva e “premium”, e no transporte de carga, a partir do Alentejo, mas também do sul e do centro do país.

O grupo aponta também uma estratégia de médio/longo prazo que passa pela criação de um “´cluster aeronáutico nacional” no Alentejo, tendo como “peça importante” o aeroporto de Beja, e pela aposta no transporte de turistas para o Alentejo, através da criação de um Fundo Regional de Captação de Rotas.

Além de João Paulo Ramôa, o grupo de trabalho criado pelo Governo é constituído por mais seis elementos em representação da Força Aérea Portuguesa, ANA, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Entidade Regional de Turismo do Alentejo e as associações de municípios e empresarial do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.

O aeroporto de Beja, que resulta do aproveitamento civil da Base Aérea n.º 11 e custou 33 milhões de euros, começou a operar a 13 de abril de 2011 e, na maioria dos dias, tem estado aberto, mas praticamente vazio, sem voos e passageiros.