Espetáculo “O Medo de Existir” estreia hoje no Montijo

O Medo de Existir João Jacinto (créditos André Reis e Levi Martins)
André Reis e Levi Martins

“O Medo de Existir”, com texto e encenação de Maria Mascarenhas, estreia a 17 de Maio no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida, Montijo. O espectáculo é uma co-produção entre a Companhia Mascarenhas-Martins e o Cegada Grupo de Teatro e conta com as interpretações de André Alves, Eurico Lopes, João Jacinto e Pedro Nunes. “O Medo de Existir” estará em cena até 20 de Maio no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida. Em Novembro o espectáculo será apresentado no Teatro-Estúdio Ildefonso Valério, em Alverca.

Num futuro distópico, um homem é informado de que existe uma ilha em que a sociedade se organiza de um modo completamente diferente. Decide partilhar esse conhecimento com o mundo, na esperança de conseguir que, num movimento colectivo, a organização hierárquica e tendencialmente autoritária da sociedade seja posta em causa. Em vez de atingir os seus objectivos, é preso. É no calabouço que o encontramos, anos mais tarde, esquecido já pelos seus concidadãos e entregue a um quotidiano em que a única companhia que tem é a das figuras de autoridade que ali o mantêm. Não desiste, porém, de defender a ideia de que a ilha existe, embora a única testemunha que o pode comprovar, Rafael, não tenha até então aparecido.

Depois de ter lido Utopia, de Thomas More, e Portugal Hoje: O Medo de Existir, de José Gil, Maria Mascarenhas relacionou algumas das ideias contidas nestas obras separadas por cinco séculos e escreveu o texto que dá origem ao espectáculo O Medo de Existir (não se tratando, porém, de um trabalho de adaptação). A capacidade humana de imaginar diferentes cenários para a sociedade surge em confronto com a dificuldade em materializar-se qualquer tipo de idealização, numa proposta de reflexão pública em que o teatro assume a sua vertente política, apartidária, livre de qualquer função instrumental.